A Degeneração Macular da Idade (DMI), também conhecida como Degenerescência Macular da Idade (termo científico), é uma das principais causas de perda de visão em pessoas com mais de 50 anos.
Trata-se de uma doença degenerativa da retina que afeta uma área muito específica e crucial do olho: a mácula. Embora não provoque cegueira total, esta condição compromete gravemente a visão central, que é essencial para realizar atividades, como ler, conduzir ou reconhecer rostos.
À medida que a população vai envelhecendo, o número de pessoas diagnosticadas com DMI também cresce. Nesse sentido, a adoção de certas medidas preventivas, como a realização de exames de rastreio oculares, é crucial para evitar o comprometimento da visão.Ao longo deste artigo, iremos compreender:
- o que é a mácula e como esta é afetada com o tempo;
- quais os sintomas da degeneração macular;
- quais as causas e os fatores de risco que intensificam este problema;
- como pode ser realizado o diagnóstico;
- e que medidas preventivas podem ser adotadas no dia a dia.
Mácula: o que é e qual o seu papel nos olhos?
A mácula é uma pequena área do centro da retina, que está localizada na parte posterior do olho. Apesar do seu tamanho diminuto (aproximadamente 5 mm de diâmetro), desempenha uma das funções mais importantes na nossa capacidade visual: permite-nos ver detalhadamente.
Situada na zona mais sensível da retina, a mácula é composta por milhões de células fotorrecetoras, especialmente cones, que são responsáveis pela visão detalhada e a cores. Graças à mesma, conseguimos focar diretamente os objetos e detetar certos pormenores com precisão.
Podemos defini-la como o "coração da retina". É aqui que se forma a imagem mais nítida daquilo que vemos. Sem a mesma, a leitura de um livro, o uso do telemóvel, a identificação das cores ou a condução diária tornar-se-iam tarefas difíceis ou até impossíveis de executar.
Apesar de ser essencial para a visão, esta região é sensível às alterações provocadas pelo envelhecimento, o que pode dar origem à Degeneração Macular da Idade.
Como a mácula pode ser afetada pelo envelhecimento?
O envelhecimento natural dos tecidos oculares é um processo inevitável. Com o tempo, os mecanismos de regeneração celular tornam-se menos eficazes e as estruturas mais sensíveis do olho (como a mácula) ficam mais expostas ao desgaste.
Na mácula, o envelhecimento pode provocar:
- acúmulo de detritos celulares, conhecidos como drusas, entre as camadas da retina;
- diminuição da circulação sanguínea local, reduzindo a acumulação de nutrientes;
- stress oxidativo causado por radicais livres (tabagismo, poluição ambiental, doenças metabólicas, etc.);
- inflamação crónica, que vai agravando a degeneração dos tecidos.
Estes fatores contribuem diretamente para o aparecimento da Degeneração Macular da Idade, principalmente na forma seca (a mais comum). A mácula, privada de suporte adequado, começa a perder células essenciais para a visão, danificando progressivamente a nossa capacidade visual.
É importante destacar que a evolução das doenças degenerativas da retina é silenciosa. Por isso, muitas pessoas só se apercebem de certos problemas visuais, quando já existe um dano significativo. Este fator reforça a importância da realização de consultas regulares de optometria e oftalmológicas, especialmente a partir dos 50 anos.
O que é a Degeneração Macular da Idade (DMI)?
A DMI é uma condição ocular crónica e progressiva que afeta diretamente a mácula, reduzindo gradualmente a capacidade da visão central. Trata-se de uma doença degenerativa da retina e é mais comum em adultos mais velhos (embora possa, raramente, surgir mais cedo).
A palavra "degeneração" indica o enfraquecimento ou a destruição de tecidos que antes funcionavam normalmente. No caso da mácula, este processo afeta as células fotorrecetoras e o epitélio pigmentar da retina, levando à perda de acuidade visual.
Segundo os estudos clínicos, a Degeneração Macular da Idade afeta milhões de pessoas no mundo e é a principal causa de perda de visão irreversível entre pessoas com mais de 60 anos.
Normalmente, pode aparecer nas seguintes formas:
- seca (atrofias) - de evolução lenta; causada pelo acúmulo de drusas e atrofia progressiva das células da mácula;
- húmida (neovascular)- de evolução rápida; caracterizada pelo surgimento de neovasos que rompem e danificam a mácula.
A maioria dos casos desenvolve-se mediante a forma seca. Alguns podem evoluir para a forma húmida, o que requer tratamento imediato para evitar danos severos na visão.
É fundamental conhecer os sintomas da degeneração macular e procurar ajuda assim que estes surgirem, para minimizar os danos e manter a autonomia visual.
Quais são os principais sintomas da DMI?
Os sintomas da degeneração macular variam conforme a fase e o tipo da doença. No início, muitas pessoas podem não se aperceber de alterações evidentes. Com a progressão, os sinais tornam-se mais claros e impactantes na rotina diária.
Sintomas iniciais
- Visão ligeiramente desfocada no centro do campo visual. A área central da visão, usada para focar objetos, deixa de ser nítida, enquanto a visão lateral costuma manter-se relativamente preservada.
- Dificuldade em reconhecer rostos. Como o reconhecimento facial depende da visão de detalhe, pequenas alterações na mácula tornam mais difícil identificar traços faciais, sobretudo à distância ou em ambientes pouco iluminados.
- Necessidade de mais luz para executar certas tarefas, como ler. A mácula torna-se menos eficiente a captar luz, fazendo com que as atividades que exigem precisão visual, como a leitura, necessitem de mais luminosidade.
- Perceção de que as linhas retas parecem curvas ou onduladas (metamorphosia). As alterações na estrutura da mácula distorcem a imagem recebida pelo cérebro, levando à sensação de que linhas direitas (como as de uma porta ou de um texto) parecem tortas ou distorcidas.
Sintomas avançados
- Pontos escuros ou cinzentos no centro da visão (escotomas). Surgem zonas “em branco” ou sombreadas no centro do campo visual, dificultando o foco dos objetos para onde olhamos.
- Redução drástica da capacidade de leitura, mesmo com óculos. Como o problema está na retina e não nas lentes do olho, os óculos deixam de ser suficientes para compensar a perda de visão pormenorizada.
- Perda de contraste e definição das cores. As cores parecem mais desbotadas e semelhantes entre si, tornando mais difícil distinguir tons próximos ou perceber bem os contornos dos objetos.
- Sensação de visão nublada e distorcida. Esta torna-se turva e sem nitidez, como se houvesse uma película à frente dos olhos, mesmo em ambientes com muita luz.
Diferenciação dos sintomas da DMI
Na DMI seca, os sintomas tendem a surgir de forma gradual, desenvolvendo-se lentamente e agravando-se ao longo dos anos, o que pode tornar as alterações visuais menos evidentes numa fase inicial.
Na DMI húmida, a perda de visão pode ocorrer de forma súbita e intensa, indicando um panorama mais grave que exige intervenção imediata para minimizar os eventuais danos permanentes.
Estar atento a estes sinais pode fazer toda a diferença na preservação da saúde ocular. Se notar qualquer alteração na sua visão central, não adie a avaliação clínica. O diagnóstico precoce permite adotar medidas adequadas para travar a progressão da doença e proteger a sua qualidade de vida.
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Causas e fatores de risco da Degeneração Macular da Idade
Embora o envelhecimento seja a principal causa da DMI, existem certos fatores de risco que podem contribuir para o enfraquecimento e deterioração da mácula. Entre os principais e segundo as evidências clínicas, podemos destacar:
- a idade avançada – acima dos 60 anos, o risco de desenvolvimento da doença aumenta exponencialmente;
- o histórico familiar – a presença de casos semelhantes na família eleva o risco genético;
- o tabagismo – fumar duplica a probabilidade de desenvolver DMI;
- a exposição solar desprotegida – os raios UV podem danificar a retina a longo prazo;
- a obesidade – condição que está associada a doenças inflamatórias crónicas e que pode agravar o risco de degeneração macular;
- a hipertensão arterial – uma vez que pode comprometer a irrigação da retina;
- uma dieta pobre em antioxidantes – a falta de nutrientes protetores agrava o stress oxidativo, que danifica as células maculares.
A alteração de certos hábitos de vida pode reduzir significativamente o risco de desenvolver DMI, ou retardar a sua progressão. Adotar uma alimentação rica em luteína, zeaxantina, vitaminas C e E, assim como praticar atividade física regular, são alguns exemplos de estratégias recomendadas pelos especialistas.
Métodos de diagnóstico da degenerescência macular
Diagnosticar precocemente a degeneração da mácula é fundamental para preservar a visão e adotar estratégias que retardem a progressão da DMI. Entre os métodos de diagnóstico mais utilizados, existem:
- o exame de fundo de olho (fundoscopia). Permite observar diretamente a retina e a mácula e ajuda a identificar drusas (depósitos amarelos), atrofias ou vasos sanguíneos anormais;
- a tomografia de coerência ótica (OCT). Trata-se de um exame não invasivo que utiliza luz para criar imagens detalhadas em 3D da retina, mostrando as camadas da mácula e revelando alterações invisíveis a olho nu;
- a grelha de Amsler. É uma ferramenta relativamente simples, mas muito eficaz. A pessoa observa uma grelha quadriculada e, se vir linhas tortas ou áreas em branco, pode ter uma possível alteração macular;
- a angiografia com fluoresceína. Consiste na injeção de um contraste fluorescente que permite visualizar a circulação sanguínea na retina. Este exame é particularmente útil na deteção da DMI na forma húmida, ajudando a identificar alterações anómalas nos vasos sanguíneos.
Quando deve realizar exames de diagnóstico?
A partir dos 50 anos, é recomendada a realização de uma avaliação anual do fundo de olho, mesmo na ausência de queixas visuais, como forma de deteção precoce de alterações retinianas.
No caso de existir histórico familiar de doenças degenerativas da retina, a vigilância deve iniciar-se mais cedo, com acompanhamento regular definido pelo profissional de saúde ocular.
Qualquer alteração visual súbita, como distorção das imagens ou perda da visão central, deve motivar uma consulta imediata, independentemente da idade.
O diagnóstico precoce não só permite iniciar o tratamento de forma atempada, como também ajuda a preservar a visão funcional.
A degeneração macular tem cura?
Esta é uma das dúvidas mais comuns e é natural que surja preocupação. Atualmente, ainda não existe uma cura definitiva para a Degeneração Macular da Idade. No entanto, existem formas eficazes de abrandar a progressão da doença, proteger a visão existente e manter a qualidade de vida, quando o acompanhamento é feito de forma atempada e adequada.
Explicando melhor:
- a degeneração macular seca, por ser um processo de atrofia progressiva, não pode ser revertida. No entanto, existem formas de abrandar o seu avanço, mediante mudanças no estilo de vida (alimentação equilibrada, cessação tabágica, proteção ocular adequada, etc.), recorrendo a suplementos antioxidantes e a acompanhamento clínico regular.
- a forma húmida da doença pode ser controlada com injeções intraoculares de medicamentos anti-VEGF, que travam o crescimento anormal dos vasos sanguíneos sob a mácula. Embora não cure, este tratamento pode ajudar a recuperar parte da visão e prevenir a degeneração.
Prevenção da DMI: qual o peso das consultas de saúde ocular?
A prevenção continua a ser a estratégia mais eficaz no combate à Degeneração Macular da Idade. Embora esta doença esteja intimamente ligada ao envelhecimento — um processo natural que não podemos evitar —, existem várias atitudes que ajudam a reduzir o risco e a proteger a visão a longo prazo.
Os hábitos de vida saudáveis, aliados a consultas regulares de saúde ocular, desempenham um papel fundamental na manutenção da autonomia visual. A deteção precoce de alterações na mácula pode fazer uma diferença significativa na evolução da doença.
Se tem mais de 50 anos, se já notou alguma alteração na visão central ou se possui histórico familiar de doenças da retina, procure aconselhamento especializado. Não espere pelo agravamento dos sintomas: o cuidado pode começar numa consulta de rotina, com o optometrista.



