Lentes de contacto para crianças: quando são uma boa opção?

  • Saúde visual
13 min leituraPublicado a: 29/12/2025Última actualização a: 29/12/2025
Criança é avaliada numa consulta de optometria para saber se pode usar lentes de contacto.

Quando falamos da saúde das crianças, a visão merece uma atenção especial. O aumento significativo da miopia infantil e de outros problemas visuais tem levado muitos pais a procurar soluções que sejam eficazes, mas também confortáveis e seguras para o dia a dia dos seus filhos.

Neste contexto, surge uma questão cada vez mais frequente: as crianças podem usar lentes de contacto? E, em caso afirmativo, quais são as opções mais adequadas para cada idade e necessidades?

Ao longo deste artigo, encontrará respostas às perguntas mais comuns sobre este assunto. Por isso, pretendemos esclarecer:

  • a partir de que idade se pode usar lentes de contacto;
  • que alternativas existem para crianças e adolescentes;
  • que tipo de cuidados merece a saúde ocular infantil;
  • que recomendações deve seguir para tomar decisões informadas.

Como funciona a visão infantil?

O desenvolvimento visual nas crianças é um processo contínuo e sensível. Até aos sete anos, os olhos continuam em desenvolvimento e qualquer alteração não detetada pode impactar o desempenho escolar, a coordenação motora e até o desenvolvimento cognitivo. Por isso, os cuidados a ter com a visão devem começar cedo; idealmente, antes dos quatro anos, com consultas regulares de optometria.

Problemas como a miopia, o astigmatismo ou o estrabismo podem surgir de forma silenciosa. Muitas crianças não conseguem expressar que não estão a ver bem e adaptam-se à visão distorcida. Nesse sentido, o papel dos pais e dos tutores é essencial para garantir um acompanhamento regular, evitando complicações futuras.

Que sinais de alerta não devem ser ignorados?

Existem certos sinais que demonstram que uma criança está com algum problema de visão. Entre os mais frequentes, destacam-se:

  • aproximar-se demasiado dos ecrãs ou livros, para conseguir ver;
  • dores de cabeça frequentes;
  • esfregar os olhos constantemente;
  • dificuldade em seguir objetos em movimento.

Sempre que um ou mais destes comportamentos surjam de forma persistente, é fundamental procurar avaliação clínica. O diagnóstico precoce permite corrigir o problema atempadamente, garantindo um desenvolvimento mais equilibrado.

Miopia infantil: um problema cada vez mais comum

A miopia infantil tem aumentado de forma significativa, nas últimas décadas. Segundo o National Institutes of Health (NIH), estima-se que 50% da população mundial será míope até 2050, sendo que muitos dos casos surgem ainda na infância.

Qual é o principal fator de risco? O tempo excessivo em ambientes fechados e o uso prolongado de ecrãs. A exposição reduzida à luz natural prejudica o desenvolvimento ocular, favorecendo o alongamento do globo ocular, que é a principal causa da miopia.

Sem tratamento, este problema não só afeta a qualidade de vida da criança como aumenta o risco de desenvolvimentos de doenças visuais graves no futuro, como o descolamento da retina, o glaucoma ou a degeneração macular.

A boa notícia? Existem diversas soluções, como lentes de contacto e óculos específicos, para controlar a progressão da miopia em crianças e corrigir a visão.

Com que idade se pode usar lentes de contacto?

Segundo as evidências clínicas, muitas crianças a partir dos oito anos já podem utilizar lentes de contacto com segurança, desde que sejam adequadamente instruídas sobre os cuidados a ter e acompanhadas por um profissional de saúde ocular. A idade recomendada pode variar, mas os estudos demonstram que a maioria se adapta bem a partir dessa faixa etária.

Ainda assim, reforçamos que a maturidade emocional importa mais do que a idade cronológica. Ou seja, o momento ideal para começar a usar lentes de contacto varia consoante:

  • o nível de responsabilidade da criança;
  • a motivação pessoal para usar lentes;
  • a capacidade de manter hábitos de higiene oculares;
  • a presença e envolvimento dos pais na adaptação;
  • o tipo de correção visual necessária.

Quanto mais cedo se começa o controlo da miopia infantil, seja mediante lentes de contacto ou óculos apropriados, maiores são os benefícios a longo prazo. Uma intervenção atempada pode abrandar significativamente a progressão da miopia, reduzir o risco de complicações futuras e preservar a saúde ocular ao longo da vida.

A escolha da solução mais adequada deve ser feita sempre em conjunto com o optometrista, tendo em consideração as características individuais da criança, a sua maturidade e o contexto familiar. É um passo importante, mas quando bem orientado, pode representar uma mudança significativa na qualidade de vida e autoestima dos mais novos.

Todas as crianças podem usar lentes de contacto?

Como explicamos anteriormente, não existe uma idade exata para começar a usar lentes de contacto, mas sim critérios de maturidade, responsabilidade e necessidade clínica. Qualquer criança com capacidade de seguir instruções e de manter hábitos de higiene adequados pode ser considerada uma boa candidata.

Em muitos casos, os adolescentes são os primeiros a mostrar interesse pelas lentes; seja por uma questão estética, conforto ou liberdade para praticarem atividades desportivas. No entanto, as crianças também podem usar lentes com sucesso.

A decisão deve ser sempre feita com base numa avaliação optométrica individualizada, onde se analisa o tipo de correção necessária, o estilo de vida da criança e a sua capacidade de adaptação às lentes.

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Lentes de contacto mais adequadas para crianças e adolescentes

Entre as opções disponíveis, as lentes diárias descartáveis são frequentemente as mais recomendadas para crianças. São práticas, higiénicas e reduzem significativamente o risco de infeções, uma vez que não requerem limpeza ou manutenção regulares.

O tipo ideal de lente vai depender sempre da avaliação clínica, mas existem já várias opções disponíveis, como:

  • lentes rígidas permeáveis a gás, embora menos comuns em idades mais jovens, podem ser indicadas para altos graus de miopia ou astigmatismo;
  • lentes tóricas, adequadas para crianças com astigmatismo, oferecendo uma correção precisa e estável;
  • lentes bifocais ou multifocais, para casos específicos de miopia no contexto pediátrico. Em vez de apenas corrigirem a visão a diferentes distâncias, ajudam a reduzir o estímulo do crescimento do globo ocular, que está na origem do agravamento deste erro refrativo;
  • lentes ortoqueratológicas, usadas durante a noite para remodelar temporariamente a córnea. Têm mostrado eficácia no controlo da miopia.

Outro ponto relevante é que o uso de lentes de contacto não exclui o uso ocasional de óculos. Pelo contrário, é aconselhável que a criança tenha sempre óculos atualizados como alternativa, por exemplo, para situações de infeção ocular ou fadiga visual.

Óculos ou lentes de contacto: qual a melhor opção?

Ambas as soluções ajudam a corrigir a visão. Não existe uma resposta única para todos os casos, antes uma escolha que deve ser personalizada, tendo em consideração a avaliação e a prescrição clínica, mas também o estilo de vida, a personalidade da criança ou do adolescente, assim como os objetivos do tratamento.

Vantagens dos óculos

Os óculos continuam a ser a solução inicial recomendada, particularmente antes dos oito anos. Além disso, são indispensáveis como uma solução secundária, mesmo para quem usa lentes diárias, devendo ser usados em dias de descanso, durante infeções ou alergias oculares.

Quando falamos das suas vantagens, podemos destacar:

  • são fáceis de colocar e tirar;
  • requerem menos manutenção do que as lentes de contacto (principalmente se estas não forem descartáveis);
  • funcionam como uma barreira física contra pó, vento e pequenas partículas, ajudando a proteger os olhos de irritações;
  • por não entrarem em contacto direto com os olhos, reduzem significativamente o risco de infeções oculares;
  • é mais fácil para os pais verificarem se a correção visual está a ser usada corretamente;
  • oferecem uma alternativa eficaz para o controlo da miopia, graças à nova geração de lentes oftálmicas (https://www.optivisao.pt/lentes-oftalmicas) que, além de corrigirem a visão, atuam no crescimento do globo ocular, travando o avanço da miopia;
  • existem modelos de óculos infantis leves, resistentes e adaptados à rotina ativa das crianças, aliando o conforto à durabilidade da solução.

Vantagens das lentes de contacto

Os estudos mostram que muitas crianças sentem-se mais confiantes e felizes quando passam dos óculos para as lentes de contacto, devido às melhorias na perceção da imagem pessoal, participação social e autoestima.

Entre as principais vantagens desta solução, podemos destacar:

  • proporcionam um campo de visão mais amplo, sem distorções laterais;
  • não embaciam com as mudanças de temperatura;
  • são ideais para a prática desportiva e atividades físicas;
  • permitem maior liberdade de movimentos, sem risco de caírem;
  • ajudam a reforçar a autoestima, sobretudo em adolescentes.

Cuidados a ter com lentes de contacto em crianças

A utilização de lentes de contacto por crianças e adolescentes pode ser altamente benéfica, mas apenas quando acompanhada por uma rotina de cuidados rigorosos. Ao contrário dos óculos, as lentes requerem manipulação direta dos olhos, o que aumenta o risco de infeções se não forem seguidas as normas básicas de higiene e utilização.

Rotinas fundamentais para uma utilização segura

  • Lavar bem as mãos com água e sabão antes de tocar nas lentes ou nos olhos.
  • Não usar água da torneira para limpar ou armazenar lentes.
  • Não reutilizar lentes descartáveis diárias.
  • Nunca dormir com lentes, exceto se forem especificamente concebidas para utilização noturna.
  • Respeitar o prazo de validade das lentes de contacto.

Sinais de alerta que exigem atenção imediata

  • Olhos vermelhos e lacrimejantes;
  • Dor ou ardor ao colocar as lentes;
  • Visão turva ou desconforto ocular;
  • Sensibilidade anormal à luz

Perante qualquer um destes sinais, as lentes devem ser imediatamente removidas e deve ser agendada uma consulta de optometria ou uma visita ao oftalmologista. O risco de infeções, como queratites (inflamação da córnea), aumenta quando sintomas deste género são ignorados.

O papel dos tutores nos cuidados diários

Os tutores das crianças e adolescentes têm um papel fundamental e contínuo na utilização das lentes de contacto corretamente. Estes devem:

  • supervisionar a colocação e remoção das lentes, especialmente nas primeiras semanas;
  • estabelecer rotinas de uso (por exemplo, inserir e remover as lentes de contacto sempre à mesma hora);
  • reforçar os comportamentos de higiene ocular (por exemplo: lavar bem as mãos, antes de tocar nos olhos);
  • garantir que a criança leva consigo um estojo de armazenamento, caso precise colocar ou remover as lentes fora de casa.

Um aspeto muitas vezes esquecido é a relevância do descanso ocular. Mesmo no caso das lentes de contacto diárias, é recomendável alternar o seu uso com óculos, sobretudo ao final do dia ou durante as atividades em casa, permitindo que os olhos descansem e recuperem.

A importância da consulta regular de optometria

Todas as crianças que usam lentes de contacto devem fazer consultas de optometria regulares — no mínimo, a cada seis meses. Durante estas avaliações, o optometrista verifica:

  • a adaptação da córnea às lentes de contacto;
  • a evolução da prescrição da correção visual;
  • a presença de qualquer irritação ou infeção nos olhos;
  • a eficácia no controlo da miopia ou outros erros refrativos (https://www.optivisao.pt/editorial/erros-refrativos-das-criancas), se aplicável.

Estes cuidados não só garantem a segurança ocular, como aumentam a longevidade e eficácia do tratamento. Quando usadas com responsabilidade, os riscos das lentes de contacto são mínimos e os benefícios evidentes.

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